Sobreviventes do ‘Anna Karoline III’ dizem que houve uma sequência de erros até o naufrágio

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Alguns sobreviventes do naufrágio do navio Anna Karoline III relataram a reportagem do jornal Tribuna da Calha Norte, que foi uma sequência de irregularidades desde o porto de Santana no Amapá até o momento do acidente.

Segundo duas pessoas que sobreviveram e preferiram não serem identificadas, no Porto de Santana entrou dois despachantes da Capitania dos Portos do Amapá no navio e foram levados até um reservado com o responsável da embarcação, senhor Paulo Simões. Quando os despachantes da Capitania iam sair, um passageiro questionou que estava entrando água por cima do convés, se era normal aquilo, um dos despachantes disse que ia averiguar, logo em seguida chegou uma equipe de Capitania dos Portos no local, e um dos despachantes disse aos demais colegas que ‘estava tudo ok’, que já tinham fiscalizado a embarcação, sem sequer ir ver a água passando por cima do convés. A reportagem do jornal Tribuna da Calha Norte, perguntou aos sobreviventes se viram o senhor Paulo dar algum dinheiro para os despachantes da Capitania, um dele disse “pergunta pro Chica”, afirmando que o ‘Chica’ seria um dos tripulantes da embarcação.

Assim que o navio saiu do porto de Santana, passageiros questionaram que estava com excesso de carga, mas foi respondido por um dos funcionários que era normal o navio navegar naquelas condições, que a água que escorria pelo convés quando batia as maresias não penetrava para o porão, portanto não tinha nenhum risco.

Ainda segundo o relato, o comandante da embarcação teria tirado plantão das 18h às 00h e este, teria falado para um outro funcionário que o navio estava ruim de leme, (direção) por conta do peso, sendo ouvido por um passageiro.

Por volta das 4h da manhã, debaixo de um temporal, o navio parou para um barco fazer o abastecimento do navio com combustível clandestino, de um senhor de apelido ‘Telegal’. No momento em que o barco atracou, o navio parou de navegar e ‘ficou a deriva em pleno temporal’, foi no momento em que ficou de lado com as maresias fortes e começou a virar.

Um dos sobreviventes que estava no terceiro andar, disse que, quando percebeu que a embarcação estava afundando pulou no rio, o barco do ‘Telegal’ desatracou de imediato e se afastou, ficando de longe vendo o navio ser engolido pelas águas, e muitas pessoas desesperadas pedindo socorro. Após o navio sumir no rio a mesma embarcação desse senhor ‘Telegal’ começou a fazer o resgate das pessoas. “Foi tudo muito rápido, nós que estávamos na parte aberta (terceiro piso) foi fácil pular na água, mas para quem estava na área vip (segundo piso), que é toda com janelas de vidro, tudo fechado, muitas pessoas não tiveram tempo de sair. Depois que afundou fico tudo muito escuro, ninguém sabia pra onde era a beira do rio”, relatou um sobrevivente chorando. Logo em seguida chegou uma balsa boiadeira no local que foi recebendo os sobreviventes.

O local do acidente foi marcado com uma boia para saber o local exato onde está o navio.

Até o fechamento dessa matéria, foram encontrados 6 corpos, sendo cinco mulheres e um homem, outras 46 pessoas foram resgatadas e as buscas seguem em andamento. Estão no local 18 mergulhadores de resgate dos Bombeiros do Amapá e Pará, além de duas embarcações da Marinha do Brasil.

O comandante do Corpo de Bombeiros do Amapá, coronel Janary Picanço, disse que não há um número oficial de pessoas desaparecidas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas.

Dois corpos já foram identificados, trata-se de Sudelma Araújo e Marlene Souza Alves.

Inicialmente os corpos seriam levados todos para Almeirim, por ser a cidade mais próxima, mas por falta de infraestrutura, os corpos serão levados de helicópteros em um avião da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Segup) do Pará, para Macapá.

2 COMENTÁRIOS

  1. Na verdade foi uma imprudência total, navio rolado de mercadorias e pessoas e com problemas de bordo. Este navio nem deveria ter saído do porto de Santana, total descaso com a vida humana.

  2. Sou um náufrago do N/M Sobral Santos, que naufragou, no Porto de Óbidos, em setembro/81. Ao ler um depoimento de um dos sobreviventes do Ana Karoline lll, associei as causas,de imediato, com as que levaram o referido Sobral Santos ao fundo do canal do Porto de Óbidos: Excesso de carga, Ganância, Irresponsabilidade do proprietario, da fiscalização e má manutenção.
    Autor do texto: SOUZA (Raimundo Nonato).

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