IBGE divulga o Censo Agropecuário. Pará tem o maior rebanho bovino da região Norte

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira, 25, o resultado completo do Censo Agropecuário 2017, a principal e mais detalhada investigação estatística e territorial sobre a produção agropecuária do Brasil. O Censo Agropecuário é realizado a cada dez anos. O que foi divulgado é resultado da coleta executada de outubro de 2017 a fevereiro de 2018, adotando-se como referência o período de 1º de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017. O Pará aparece com o maior rebanho bovino da Amazônia.

Para realizar o trabalho, o IBGE percorreu todo o território nacional, indo coletar as informações mesmo em áreas de difícil acesso. Foram visitados cerca de 5,3 milhões de estabelecimentos rurais em 5.570 municípios, numa área total de 350.253.329 hectares. Essa área cresceu, em relação ao censo anterior (2006), em 5%, o que representa 16,5 milhões de hectares, área equivalente ao tamanho do estado do Acre. Já o número de estabelecimentos caiu em 2% (103.484 unidades).

A importância do Censo Agropecuário está na obtenção de informações sobre a estrutura, a dinâmica e o nível de produção da atividade agropecuária brasileira, que são fundamentais para a definição de políticas públicas para o setor e para a produção de indicadores ambientais, por exemplo. Diferente das pesquisas mensais e trimestrais, que geram dados sobre agricultura e pecuária referentes ao Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, os resultados do Censo Agro revelam informações por município, permitindo agregações e análises de diferentes recortes territoriais.

Entre os destaques regionais, está o Pará como primeiro estado da região Norte em valor de produção agrícola, com mais R$ 13,5 bilhões ao ano, o que representa 46,6% da produção de toda a região. A lavoura temporária paraense tem como linha de frente a mandioca e a soja. Já na permanente, são mais produzidos açaí e laranja. Os municípios com maior participação no valor de produção agrícola do estado são Ulianópolis, o primeiro da lista, com valor de produção de R$ 703.013,00, seguido por São Félix do Xingu (R$ 610.898,00) e Paragominas (R$ 603.816,00).

Em relação ao rebanho bovino, além de ter o maior rebanho da região Norte (mais de 14,3 milhões de cabeças), o Pará é destaque no cenário nacional. O município de São Félix do Xingu, com cerca de 1,44 milhões de cabeças de gado, é o segundo do Brasil em rebanho bovino.

A pesquisa também identificou que 93,80% dos estabelecimentos agropecuários paraenses são de pequeno porte: 264.227 empreendimentos identificados. Registraram-se apenas 3.845 (1,36%) de grande porte e 9.501 (3,17%) de médio porte.

Destaca-se ainda que 85% dos estabelecimentos agrícolas no Pará é de agricultura familiar (cerca de 239.737 unidades). Esse dado cresceu relação ao ano de 2006, quando o número de propriedades nessa classificação era de 195.985. Em 2017, quando foi realizada a coleta dos dados atuais, a agricultura familiar ocupava uma área de 8,6 milhões de hectares de solo paraense, representando uma participação de 38,65% no valor total da produção no Pará.

O Censo Agro revelou também que, no Pará, a ocorrência de mulheres à frente de empreendimentos agropecuários cresceu em 143% em comparação aos dados do Censo Agro 2006. Naquele ano, 23.645 exerciam a direção de algum estabelecimento agropecuário. Em 2017, esse número havia subido para 57.473. Os estabelecimentos agropecuários paraenses ainda são dirigidos predominantemente por homens, mas esse dado vem decrescendo: em 2006, 89,3% dos estabelecimentos do Pará tinham homens à frente. Em 2017, o dado caiu para 79,5%.

Outro dado importante refere-se à faixa etária da população no campo. Em 2006, a maior parte dos produtores agrícolas no Pará (54 mil) tinha idades entre 35 e 45 anos. Já em 2017, foi identificado que a maioria (68 mil) tinha entre 45 e 55 anos. Isso indica que a população agrícola paraense segue um ritmo de envelhecimento. As pessoas com idades abaixo de 25 anos na agricultura paraense somam apenas 9 mil. Isso pode ser explicado pela necessidade dos jovens em migrar para as cidades para prosseguir os estudos.

Quanto ao acesso à internet no campo, apenas 13% dos estabelecimentos agropecuários do Pará possuíam acesso à internet em 2017 (total de 35.814 empreendimentos). A maioria (27.066) utilizava internet móvel, com 9.736 estabelecimentos utilizando banda larga. Apenas 37,96% dos estabelecimentos pesquisados possuía telefone fixo ou celular.

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